Sobre Cleber Bento

Nome Completo: Cleber Bento da Silva

Profissão/Área de Atuação: Gerente de Risco - Gerenciamento de Riscos Logísticos

Empresa: Dataprove / Flex Consulta

Atuo há mais de 25 anos em Gerenciamento de Riscos na logística de cargas, combinando visão técnica completa do ciclo de riscos com experiência sólida em seguros de transporte e 15 anos de atuação comercial em grandes negociações e bids. Meu diferencial é conectar operação, seguradoras e estratégia comercial para reduzir perdas, aumentar eficiência e apoiar decisões com alto impacto no negócio.

Gerenciamento de Risco no Transporte de Cargas — dificuldades e benefícios na implantação

O transporte rodoviário de cargas opera em um ambiente de alta exposição: longas distâncias, múltiplos atores (embarcador, transportadora, motorista, agregados, postos, pátios, seguradora), variação de rotas e uma realidade de crimes, acidentes e falhas operacionais. Nesse cenário, gerenciar risco não é “colocar uma regra a mais”, e sim proteger vidas, carga, reputação e margem, com método, dados e disciplina.

Mais do que reagir a ocorrências, o Gerenciamento de Risco (GR) busca reduzir a probabilidade e o impacto de eventos como roubo, avaria, sinistros, fraude, desvios, adulterações, parada não autorizada e até conflitos gerados por comunicação ruim entre operação e campo. A boa implantação de GR transforma a operação em algo mais previsível, rastreável e sustentável.

O que é, na prática, Gerenciamento de Risco (GR)

Gerenciamento de Risco no transporte é um conjunto integrado de processos e controles para:

  • Identificar riscos (por tipo de carga, região, rota, horário, perfil de motorista, histórico, contexto)
  • Avaliar probabilidade e impacto (matriz de risco, criticidade por cliente e por carga)
  • Definir medidas (prevenção, detecção e resposta)
  • Monitorar execução e indicadores (conformidade + resultados)
  • Aprender com dados (melhoria contínua após incidentes e quase-incidentes)


Em geral, um GR maduro combina três pilares:

  1. Processos e regras operacionais (check lists, validações, padrões de parada, janelas de viagem, plano de crise)
  2. Pessoas e cultura (treinamento, disciplina operacional, comunicação clara, liderança)
  3. Tecnologia e dados (rastreamento, telemetria, geofencing, alertas, TMS, análise de risco, auditoria)

Principais dificuldades para implantar GR (e por que elas acontecem)

1) Resistência cultural: “isso atrapalha a operação”

Uma das maiores barreiras é a percepção de que o GR “engessa”. Isso acontece quando os controles são impostos sem explicar o porquê, sem calibrar a regra ao risco real ou quando há punição sem diálogo.

Na prática, um GR que funciona precisa ser entendido como cuidado com a pessoa e com o trabalho, não como burocracia. Quando o time percebe respeito e clareza, a adesão cresce, especialmente motoristas e equipes de monitoramento.

2) Falta de padronização e variação no campo

Mesmo com um bom procedimento, a execução pode variar muito, troca de motorista, agregado, pressa, improviso em pátio, mudanças de rota por bloqueio, etc. Sem padronização e disciplina operacional, o GR vira “papel”.

3) Tecnologia sem processo (ou processo sem tecnologia)

  • Só tecnologia: alerta demais, ruído, fadiga de monitoramento, sem resposta coordenada.
  • Só processo: dependência total de compliance manual e baixa detecção precoce.

O desafio é desenhar um fluxo em que alerta gera decisão e decisão gera ação rastreável (com dono, prazo e registro).

4) Dados ruins e pouca integração

Cadastro incompleto de motoristas, inconsistência de placa/carreta, falta de histórico consolidado de ocorrências, e sistemas que “não conversam” (TMS, seguradora, rastreador, monitoramento). Sem dados confiáveis, o risco fica baseado em opinião.

5) Custo inicial e ROI percebido “tarde”

Implantar GR envolve investimento (pessoas, treinamento, rastreamento, monitoramento, auditoria, adequações). O retorno, muitas vezes, aparece como sinistro evitado, e “o que não aconteceu” é mais difícil de mostrar sem indicadores bem desenhados.

6) Governança fraca e exceções virando regra

Um ponto crítico: exceção operacional “só hoje” repetida vira padrão. Sem governança (quem aprova exceção, em que condições, com qual contramedida), o GR perde credibilidade rapidamente.

Benefícios claros de uma implantação bem-feita

1) Redução de perdas e sinistros (e mais previsibilidade)

O benefício mais direto é reduzir:

  • roubo e tentativa de roubo
  • avarias por conduta e rota inadequadas
  • paradas inseguras
  • desvios e fraudes
  • tempo de resposta em incidentes


Isso melhora o que a operação mais precisa: previsibilidade.

2) Melhoria de produtividade (sim, produtividade)

Pode parecer contraintuitivo, mas quando os processos ficam claros:

  • há menos improviso
  • menos retrabalho por “incidente evitável”
  • menos tempo apagando incêndio
  • melhor planejamento de rota/janelas e menos interrupções


GR bom é trabalho bem combinado.

3) Redução de custo total (seguro, franquia, operação e imagem)

Com histórico e controles consistentes, é comum haver efeitos em:

  • negociações com seguradoras e PGR
  • redução de franquias e perdas indiretas
  • menos custo com recursos mal alocados (usar onde precisa, não onde “sempre foi assim”)


4) Conformidade, auditoria e rastreabilidade

Você ganha trilha: quem aprovou, quando, por quê, qual controle estava ativo. Isso é vital para:

  • clientes exigentes
  • auditorias
  • investigação de ocorrências
  • gestão de terceiros


5) Segurança psicológica e qualidade do ambiente de trabalho

Ambientes previsíveis e organizados reduzem estresse operacional. Em campo, isso vira orientação clara, no back office, vira menos tensão e cobrança “no grito”. O resultado costuma aparecer em engajamento e retenção, além de decisões melhores sob pressão.

Como aumentar a chance de sucesso na implantação (sem “engessar”)

  • Comece pelo risco real, não pelo “padrão de mercado”: mapa de risco por rota/carga/cliente.
  • Defina o mínimo operacional viável: regras poucas, claras e executáveis.
  • Crie um fluxo simples de exceção controlada (com aprovação e contramedida).
  • Treine com linguagem prática: “o que fazer quando…”, não só norma.
  • Trabalhe comunicação com o campo de forma objetiva e respeitosa. Um modelo que funciona bem é:
  • Observação (fato) → preocupação (impacto) → necessidade (segurança/controle) → pedido claro (ação específica).

  • Use indicadores que mostrem valor:
  • taxa de ocorrências
  • tempo de resposta a alertas
  • % de viagens conformes (rota/paradas/janelas)
  • reincidência por tipo de desvio
  • perdas evitadas (com critérios definidos)

Telefone (whatsapp)

11 97681-1551

e-mail

contato@graplicadoavida.com.br

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